Corte Comum Manual (CCM)

Updated on abril 12, 2017
Aplica-se a: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017
Dica!

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Corte Comum Manual (CCM)

Este tutorial aplica-se a quem deseja aplicar a tecnologia de Corte Comum em peças que não possuem segmentos retos, a fim de otimizar o processo de corte e obter um melhor aproveitamento de material.

Devido a geometria de algumas peças, o Lantek não consegue realizar o alinhamento e distanciamento necessário para aplicação do Corte Comum de forma automática no módulo NESTING e CORTE, porém, esse fato não impossibilita o programador de realizar adaptações manuais para atingir este objetivo.

O exemplo apresentado neste tutorial é baseado em uma necessidade real de cliente; a programação foi realizada na versão 2016 SP4 do Lantek e a execução do CNC realizada em uma máquina Laser.

Estudo de caso
Análise da peça

Antes de qualquer ação, é necessário analisar a peça em si, para verificar se a geometria desta pode ou não ser adaptada para uma melhoria de processo de corte.

Abaixo o exemplo de peça que utilizaremos neste estudo:

Desenvolvimento

Esta deve ter sido desenvolvida e adequada pelo setor de engenharia já considerando as geometrias externas (azul ciano) que serão alinhadas em Corte Comum, conforme o exemplo abaixo.

Processo

É de extrema importância que o processo de Corte Comum esteja bem claro para o setor de engenharia e demais setores envolvidos nesta melhoria, pois o conceito deve ser levado a risca para garantir que o dimensional das peças fique correto.

Caso ainda não esteja familiarizado com o conceito, dê uma lida neste artigo antes de continuar: Corte Comum.

Apenas relembrando… para realização de um Corte Comum automático, a distância entre peças deve ser a largura do kerf ou sangria (diâmetro do laser) sendo este valor específico para cada material e espessura e deve estar previamente configurado no software.

Na configuração deste, presente nos Dependentes de material-espessura, esta distância é configurada no campo raio do cortador, e como o próprio nome diz… o valor a ser configurado neste campo é a largura do kerf ou sangria dividido por 2.

Para a realização deste um Corte Comum Manual, é necessário que o programador saiba exatamente o valor deste kerf ou sangria, para o distanciamento manual entre as peças.

Programação

Uma vez entendendo o conceito, podemos iniciar a programação desta peça.

Porém não vamos fazê-la diretamente no módulo NESTING como de costume, por se tratar de um caso específico e uma geometria complexa, vamos tratar a aplicação deste Corte Comum de forma manual e como agrupamento de peças diretamente no módulo DESENHO, resultando na seguinte peça:

Como vamos realizar um nesting com um agrupamento de peças feito no módulo de DESENHO, primeiramente temos que verificar se a seguinte configuração do sistema está desativada, pois se estiver ativa, o sistema não permitirá a colocação deste bloco de peças na chapa.

Acesse no módulo CAM: Guia Gerenciar/ Máquinas/ (duplo clique na máquina que deseja configurar)/ Guia Sistema/ Geral/ Auxiliar/ 

Desabilite a opção: “Trabalhar somente com peças unitárias”

Nunca se esqueça!

Sempre que for realizar um ajuste nas configurações de máquinas diretamente no módulo CAM, ambos os módulos DESENHO ou NESTING devem estar fechados, para que as modificações sejam salvas e aplicadas a estes módulos!

Módulo DESENHO

Pronto! Agora podemos preparar a nossa peça considerando o Corte Comum Manual.

Faremos isso seguindo os seguintes passos:

  1. Abrir o desenho unitário da peça;
  2. Verificar a existência de contornos abertos e fechá-los, caso necessário;
  3. Ordenar contornos;
    Sentido de corte

    Para a maioria das máquinas, o sentido de corte para a correta compensação do kerf é a seguinte: Interior das peças, sentido anti-horário; Exterior das peças, sentido horário de corte. A inversão deste sentido pode influenciar diretamente no dimensional interno e externo das peças.

  4. Aplicar tecnologia de corte;
  5. Identificar qual ponto de referência será utilizado para a realização de cópias alinhadas desta peça (Se necessário, peça ajuda da engenharia);
  6. Criar duas geometrias auxiliares, uma identificando o ponto de referência para cópias e outro que será utilizado para referência de “colagem” das cópias (no caso do exemplo, foi utilizado um círculo do tamanho do kerf);
  7. Mover a geometria auxiliar de “colagem” de acordo com a necessidade, considerando o tamanho do kerf que será usado para separação das peças em Corte Comum.
  8. Aplicar às geometrias auxiliares e à linha comum, a tecnologia de “não corte”;
  9. Aplicar os ataques internos na peça;
  10. Aplicar amarrações ou micro-juntas externas às peças, para evitar que estas caiam durante o processo de corte e provoquem uma colisão com o cabeçote (Obs.: esta última ação é uma segurança para o processo, mas dependendo da espessura da peça é impraticável);
  11. Copiar toda a geometria da peça, a partir do ponto de referência de cópias;
  12. Colar a peça utilizando o ponto de referência de “colagem”;
  13. Repetir o processo de cópia manual de acordo com sua necessidade;
  14. Apagar a tecnologia de “não corte” da última peça colada;
  15. Aplicar tecnologia de corte externo, caso necessário;
  16. Aplicar a sequência de corte desejada de forma manual aos contornos (Contornos automáticos);
  17. (Opcional) Simular a execução do processo de corte do bloco de peças e corrigir caso necessário;
  18. Salvar a peça.

Podem existir formas diferentes de se realizar este mesmo procedimento… inclusive com a adição de outras tecnologias às peças.

Dica!

Para facilitar ainda mais a preparação deste tipo de peça com Corte Comum Manual, você pode utilizar o recurso de “Macros”, para definir a sequência de trabalho descrita acima. Dessa forma, a preparação da peça fica ainda mais rápida e dinâmica. Não sabe criar uma “Macro”?, confira este artigo: Macros.

Módulo NESTING e CORTE

Uma vez que o bloco de peças está devidamente preparado no módulo DESENHO, a programação destas acontece de forma rotineira no módulo NESTING e CORTE, podendo o arranjo ser manual ou automático.

Comparativo de ganhos

Como efeito comparativo, abaixo estão duas programações da mesma peça, num mesmo tamanho de chapa (3000×1200), uma sem a aplicação de Corte Comum e outra com a aplicação de Corte Comum Manual.

Baseado nas diferenças entre as quantidades de peças encaixadas, aproveitamento e tempo de processo, é simples afirmar que o Corte Comum Manual é uma excelente opção para este tipo de peça. E os ganhos de matéria-prima e processo são claros.

Nesting Sem Corte Comum

Quantidade de peças encaixadas: 442 peças
Tempo estimado de corte (442 pçs): 3h17min
Peso total da chapa: 227,52 kg
Aproveitamento: 150,031 kg
Desperdício: 77,489 kg

Nesting Com Corte Comum

Quantidade de peças encaixadas: 540 peças
Tempo estimado de corte (540 pçs): 3h15min
Peso total da chapa: 227,52 kg
Aproveitamento: 183,286 kg
Desperdício: 44,234 kg

 

Ainda ficou com dúvidas sobre a utilização deste recurso?

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